Caros amigos,
Sento-me no alpendre de um domingo solarengo para vos escrever estas palavras. Não vos tenho dedicado o tempo merecido, mas estou certo que entendereis que deste lado vira água que não se segura entre mãos. Assim, dedico-vos alguns dos meus pensamentos e recordações que me alimentam deste lado do mundo. Sou a árvore desenraizada que precisa de nova terra para não secar, essa que de tempos a tempos precisa mudar de sítio, mas conserva as mesmas raízes e os nutrientes que a alimentam em cada pedaço de terra ficam-lhe no corpo.
Coincide a redacção deste texto com o dia dedicado aos finados e, ainda que não tenha sido propositado, concluo que não é de todo incompreensível. Não é este dia um dia dedicado a memórias? À imortalidade? Pois bem, sabereis que todos vós sois imortais. E não me parece que esteja a desafiar a vontade divina. Lembro-me agora das palavras de Mwanito, rapaz crescido no Jesusalém de Mia Couto; e uso-as também para outros imortais, os que deixaram os corpos para serem lembrança: «os mortos não morrem quando deixam de viver, mas quando os votamos ao esquecimento…». E não acredito que precisemos de um só dia para os lembrarmos.
Sento-me no alpendre de um domingo solarengo para vos escrever estas palavras. Não vos tenho dedicado o tempo merecido, mas estou certo que entendereis que deste lado vira água que não se segura entre mãos. Assim, dedico-vos alguns dos meus pensamentos e recordações que me alimentam deste lado do mundo. Sou a árvore desenraizada que precisa de nova terra para não secar, essa que de tempos a tempos precisa mudar de sítio, mas conserva as mesmas raízes e os nutrientes que a alimentam em cada pedaço de terra ficam-lhe no corpo.
Coincide a redacção deste texto com o dia dedicado aos finados e, ainda que não tenha sido propositado, concluo que não é de todo incompreensível. Não é este dia um dia dedicado a memórias? À imortalidade? Pois bem, sabereis que todos vós sois imortais. E não me parece que esteja a desafiar a vontade divina. Lembro-me agora das palavras de Mwanito, rapaz crescido no Jesusalém de Mia Couto; e uso-as também para outros imortais, os que deixaram os corpos para serem lembrança: «os mortos não morrem quando deixam de viver, mas quando os votamos ao esquecimento…». E não acredito que precisemos de um só dia para os lembrarmos.














































